domingo, janeiro 22, 2012

Lembrança de um fim de semana no campo


Começou na capital, bem aqui. Juntei petrechos diurnos e noturnos; coisas poucas que cabem numa pasta. O chapéu compunha o cenário interiorano; no mais, urbanidades: livros, papel, caneta e óculos de leitura – necessidade dos tempos. Verdade que as horas já corriam pela tarde e as nuvens imitavam noite, mesmo assim coloquei o chapéu por figura; faz parecer que a gente entende de laranja e feijão no pé. O primeiro pingo, o segundo, o terceiro, já não se contava mais, chuva daquelas que molham mesmo, não que chovesse pleonasmo, mas é assim que se fala por lá. Fazer o quê? Recolhi-me às urbanidades literárias, acomodei a mim e aos óculos e... escuro. Vento, trovoadas deveras, e a eletricidade extinguiu-se. Alguma árvore por esse mundo afora deve ter derribado a fiação, e com ela a civilização, porque fiação e civilização rimam, sem uma, outra inexiste. Os fios são as artérias que alimentam o Google. Sem eles, voltamos ao mundo de Virgílio que não escreveu à máquina, nem Palinuro guiou a flotilha de Enéias por GPS. Chuva, grilos e sapos coaxando, o universo pastoril dos grandes poetas. Quisera eu escrever num tablet como eles escreveram. Contemplei a sinfonia da natureza, e quase conclui que os grilos entendem mais de mitologia que a Wikipédia. Sonho por sonho, chegou o sono antes da luz. Restou a fotografia da vela de lembrança.

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Esse com certeza é muito distante,se a lembrança for a vela.

24 janeiro, 2012 08:57  
Anonymous Anônimo disse...

Gosto muito quando voce escreve, voce tem o dom da palavra e deve fazer uso dele.

06 fevereiro, 2012 19:46  

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