quarta-feira, dezembro 25, 2013

A árvore e o motorista

Conheço, de passagem, um ipê. Fica o dia todo naquele quadrado de terra; oásis na calçada cimentada a poucos metros de um insano cruzamento de vias. Nem grande, que mereça a admiração dos pedestres; nem pequeno, que os incivilizados arranquem; apenas médio, o suficiente para os coletivos quebrarem os seus galhos. Fica amarelo uma vez ao ano. Sabe-se lá de onde brota tamanha força de vontade de florir, para depois despejar suas sementes no asfalto e ainda receber os desaforos dos varredores. É possível que ele não saiba que está ali, deveriam desculpá-lo por semear a sarjeta. A culpa é da propaganda oficial: aquele metro de terra nua ajuda a absorver a água da chuva; e reduz as doenças pulmonares por causa da purificação do ar. É a história anunciada, mas a vizinhança pensa diferente quando leva seus pets para aliviar no seu espaço. Talvez ele seja um ponto. Isso mesmo, um ponto. Se existe ponto de ônibus, há existir ponto de caminhão de lixo, são ao seu redor que se juntam os sacos do quarteirão ao final do expediente. O povo fica amontoado num ponto esperando para ir embora, e o lixo no outro. Se ele não sabe que está ali, provavelmente nem pense nessas coisas. Será que sente? Se sente, deve ser um grande zombeteiro, porque insiste em crescer, lento, é certo, qual o trânsito no sinaleiro, um centímetro por ano.

terça-feira, novembro 19, 2013

Ordem dos deuses


domingo, novembro 03, 2013

Agente da CIA atuando em São Paulo


quinta-feira, setembro 05, 2013

Dá-lhe voto!

Dia desses topei com manifestantes. Estão acantonados diante da sede do governo paulista há semanas, em pior estado que retirantes na Síria, debaixo de um plástico dilacerado, sem água nem local para necessidades básicas. O cartaz do rapazote clamava: Fim ao voto secreto! Fiquei penalizado e pensativo; primeiro, isso não depende do executivo paulista, é assunto do legislativo federal; segundo, parecia protestar por protestar, gente que não sabe o que dizer e preenche o cartaz com a promoção do dia, qual feirante anunciando a baixa do preço do chuchu ao final do pregão; terceiro, o guri fugiu da aula de história; quarto, o pleito está longe do cerne do problema.

Voltemos um pouco. Em idos tempos a política era dominada pelos coronéis e barões endinheirados. Nós, o povo, éramos a boiada tocada pelo voto de cabresto. Algo precisava ser feito, e os manifestantes da época tinham as suas bandeiras, antes mesmo do rapazote ter nascido. Pleiteava-se: o voto secreto. Sim, o voto secreto era importante para a democracia, para o exercício da consciência sem a vigilância do coronel, e para não enfrentarmos capangas e pistoleiros. Depois, pleiteava-se bom salário e plano de aposentadoria para os parlamentares. Isso mesmo! Quem poderia viver sem ganho e garantia de sobrevivência futura? Privilégio dos barões. Uma pessoa simples, do povo, só poderia se eleger se tivesse garantido o arroz e feijão. Teto e pasto garantidos eram necessários para a consolidação democrática, para a inclusão do povo e fim da oligarquia! Quem diria...


O que aconteceu com os ideais democráticos? Ruíram. Sucumbiram. Naufragaram no lamaçal da hipocrisia. Estamos eternamente perseguindo um sistema que seja um esparadrapo que tape a deficiência do caráter humano. Sem uma educação que forje nobreza, não há sistema que resolva.

domingo, agosto 11, 2013

Esperança

domingo, junho 09, 2013

Luar no arvoredo

quinta-feira, março 28, 2013

Crônica da semana

Parece que o dia só começa com o primeiro cafezinho acompanhado de uma batida de olhos no frontispício do matutino. Ainda não descobri se a preferência do botequim é fazer o corriqueiro tomar ares de importância ou fiar a desgraça universal. O fato é que os coloridos ovos de Páscoa fizeram a guerra campal que virou uma reintegração de posse parecer a expulsão dos vendilhões do Templo. Fiquei tamborilando no balcão entre um gole e outro da bebida nacional diante da ironia da vida também nacional. Para a polícia avançar contra 700 famílias bastou uma simples Liminar. Enquanto isso, políticos corruptos condenados desfrutam as areias cariocas porque o assunto ainda não passou em julgado na suprema corte do país. A interjeição geral fez a minha causa parecer questão miúda, e o balconista, versado nos meandros do Céu e da Terra, sentenciou sem apelação – A justiça é cega, seu doutor.