Voo inaugural
Cria da casa. Rebento único de três ovos. Aninhado num tufo de orquídea. Bico de recém-chegado. Penas meladas. Joga-se para o desconhecido sob olhar atento. Não voa. Salteia. Embrenha-se nos arbustos para desespero da sabiá que o perde de vista. Pios maternos. Revoadas de busca. Uma minhoca escapa do gramado contorcendo-se na pedra quente. A refeição balouça para alimentar a cria. Vai e vem por uma semana alando-se, conquistando alturas até se agarrar ao galho qual ensinado. Voa. Anônimo. Alguém há de apreciar seu canto. Uma mãe há de apontá-lo ao filho – Olha lá o piu-piu. Pois saibam que ele nasceu e aprendeu a voar neste jardim.

2 Comentários:
Que lindo, tudo que é novo da medo.
Bom que o sr. voltou a escrever... gosto de seus escritos .
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