quinta-feira, setembro 05, 2013

Dá-lhe voto!

Dia desses topei com manifestantes. Estão acantonados diante da sede do governo paulista há semanas, em pior estado que retirantes na Síria, debaixo de um plástico dilacerado, sem água nem local para necessidades básicas. O cartaz do rapazote clamava: Fim ao voto secreto! Fiquei penalizado e pensativo; primeiro, isso não depende do executivo paulista, é assunto do legislativo federal; segundo, parecia protestar por protestar, gente que não sabe o que dizer e preenche o cartaz com a promoção do dia, qual feirante anunciando a baixa do preço do chuchu ao final do pregão; terceiro, o guri fugiu da aula de história; quarto, o pleito está longe do cerne do problema.

Voltemos um pouco. Em idos tempos a política era dominada pelos coronéis e barões endinheirados. Nós, o povo, éramos a boiada tocada pelo voto de cabresto. Algo precisava ser feito, e os manifestantes da época tinham as suas bandeiras, antes mesmo do rapazote ter nascido. Pleiteava-se: o voto secreto. Sim, o voto secreto era importante para a democracia, para o exercício da consciência sem a vigilância do coronel, e para não enfrentarmos capangas e pistoleiros. Depois, pleiteava-se bom salário e plano de aposentadoria para os parlamentares. Isso mesmo! Quem poderia viver sem ganho e garantia de sobrevivência futura? Privilégio dos barões. Uma pessoa simples, do povo, só poderia se eleger se tivesse garantido o arroz e feijão. Teto e pasto garantidos eram necessários para a consolidação democrática, para a inclusão do povo e fim da oligarquia! Quem diria...


O que aconteceu com os ideais democráticos? Ruíram. Sucumbiram. Naufragaram no lamaçal da hipocrisia. Estamos eternamente perseguindo um sistema que seja um esparadrapo que tape a deficiência do caráter humano. Sem uma educação que forje nobreza, não há sistema que resolva.